Simbad, o Marujo


Do livro, Jóias da Literatura Infantil Universal
Adaptação de Maria Amélia de Carvalho

No tempo em que reinava o Califa AL Raschid, havia na cidade de bagdá um carregador chamado Himbá. Uma tarde, vinha ele se lastimando pela rua:
- Que vida dura é a minha! Enquanto vivo com tão pouco, outros vivem em palácios...Quem será o feliz dono deste palacete cercado de jardins? O dono do majestoso palácio de torres de marfim, era Simbá, o marujo.
Simbá ouviu o que disse o pobre homem e mandou convidar Himbá para entrar em sua casa. Depois de servir ao carregador uma mesa de comidas e bebidas finas, disse:
- Meu pobre Himbá, ouvi suas queixas e quero contar-lhe como consegui tudo isso.
Simbá reuniu seus amigos, o carregador como convidado especial, e durante sete dias contou a história de suas sete viagens.
- O que vou contar vai fazer vocês entenderem porque vivo, hoje, no meio de tanta riqueza. Tudo o que possuo ganhei com muito trabalho e muita luta, correndo perigos sem conta. Em sete viagens corri o mundo, navegando os mares durante toda a minha vida. De aventura em aventura, enriqueci e empobreci muitas vezes. Escapei da morte também inúmeras vezes.
No final de cada história, Simbá entregava 100 moedas de ouro ao pobre carregador e pedia que todos voltassem no dia seguinte. Depois de servir aos ouvintes um belo jantar, Simbá continuava.
Hoje, vou contar como se passou minha sexta e penúltima viagem. Meu espírito aventureiro não permitia que eu parasse muito tempo em Bagdá. Depois de cinco naufrágios e muitas emoções, ainda tive coragem para enfrentar uma viagem. Mandei construir um bom navio, com muitas velas, lotei o barco com aventureiros e saímos em direção à Pérsia, até a Índia. íamos à procura da lendária ilha dos Diamantes. Dizia a lenda que, em lugar de conchas, essa ilha era coberta de pedras preciosas das mais raras.


A muito custo, conseguimos vencer as enormes ondas nadando até a ilha. Caímos exaustos sobre a areia da praia. Quando consegui recuperar as forças abri os olhos e vi tudo brilhando a minha volta.
- Diamante! Rubis! Safiras! Esmeraldas! Estamos ricos!
Mas quando a fome e a sede foram chegando, minha alegria foi diminuindo.
- De que valem diamantes numa ilha deserta sem um pingo d'água para beber ou pelo menos algumas frutas para comer?
Tentei contornar a ilha, à procura de uma fonte ou algum alimento. Não encontrei nada além de montanhas de pedras preciosas.
Muito desanimado avistei uma caverna ao longe. Parecia que um braço do mar entrava por aquele lugar adentro.
O único jeito era tentar uma fuga por ali. Recolhi pedaços de madeira e construi uma jangada. Em cima da jangada coloquei o maior número possível daquelas lindíssimas pedras preciosas.
Entrei pelo escuro e estreito túnel disposto a encontrar uma saída. Não sei, mais naveguei por ali horas ou dias. Quase não podia respirar. Devo ter desmaiado, pois quando voltei a mim estava fora do terrível lugar e estendido do lado da jangada, e quando abri os olhos, percebi que estava em terra de gente de pele escura.
- Quem são vocês e onde estou? Um dos nativos respondeu-me:
- Somos habitantes do reino de Serendib. Seja bem vindo estrangeiro!


Depois de matar minha sede e minha fome, fui levado para o palácio do rei, a quem contei minhas aventuras.
Muito admirado, o rei respondeu: - Simbá, você é o primeiro homem que conseguiu sair vivo da ilha dos Diamantes!
Fiz muitos negócios com aquelas pedras. Um dia o Califa AL Raschid mandou chamar-me a seu palácio.
- Simbá, preciso de seus serviços. Quero retribuir a gentileza do rei de Senendib. Só confio em você para levar meus presentes àquela terra.
Tudo correu bem, e pude entregar em perfeito estado os ricos presentes do califa de Bagdá ao rei de Serendib.
Embarque de volta depois de ser recebido com muita festa por aquele povo amigo. Na despedida o rei fez questão de me dá presentes valiosíssimos.
No caminho de volta enfrentei piratas que me venderam como escravos aos habitantes de uma ilha. Quem me comprou foi um rico comerciante de marfim. Depois de me dar roupas para vestir e comida para me alimentar fomos até uma grande floresta. Apontando para uma árvore o mercador ordenou:
- Suba naquela árvore e atire em todos elefantes que passarem. Se abater algum vá até a cidade me avisar.
Depois que fui parar no chão, um dos elefantes me levantou com sua tromba. À frente de uma enorme fila de elefantes, fui levado para uma clareira com grande fossa.


Fui colocado no chão e comesei a explorar o lugar e descobri que aquela fossa estava cheia de presas de elefantes.
Isso é a descoberta de um verdadeiro tesouro! - Gritei.
Meu dono ficou tão satisfeito que com a descoberta e tão rico com a venda do marfim que, além da liberdade para voltar a minha terra me deu inúmeros presentes.
Levei comigo, também vários baús cheios do precioso marfim. Depois de bons negócios dos quais troquei parte do marfim, por outras mercadorias, cheguei novamente rico em Bagdá.
Desse dia em diante, resolvi aproveitar as delícias do meu palácio dividindo minha fortuna com a familia e os amigos.


Assim que Simbá terminou a história de sua sétima viagem, disse ao pobre mercador:
- Então, amigo, depois de ter passado uma vida de tanto trabalho e tantos perigos, mereço ou não este descanso em que vivo hoje?

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