O Ganso de Ouro




Irmãos Grimm
Do Livro Jóias da literatura Infatil Universal


Era uma vez uma familia de lenhadores que tinha três filhos. Os dois mais velhos achavam-se muito espertos e por isso chamavam o mais novo de Boboca.
- Posso sair junto com vocês? - Pedia sempre Boboca.
- Enquanto não aprender a cortar lenha, não pode andar com gente esperta como nós - respondiam os dois irmão.
O mais velho costumava ir à floresta cortar lenha. Um dia, estava comendo o bolo e bebendo o vinho que tinha trazido de casa, quando apareceu um velho baixinho de longas barbas brancas. Foi logo dizendo:
- Que bolo gostoso, recheado de geléia! Você pode dar-me uma fatia do seu bolo e um gole de sua garrafa? Estou com muita fome e sede.
- Se der o meu bolo e o meu vinho, vou ficar sem nada! Vá pedir a outro. Até logo, seu velho barbudo.
Depois disso, o rapaz foi cortar lenha. Sem saber como, deu um golpe errado e acertou o machado de mal jeito no seu braço.
Vendo aquilo, o velho saiu pensando:
Quem faz o mal recebe o mal...
Depois disso ele que era mais velho ficou em casa enquanto o do meio foi cortar lenha. Chegando na floresta, o rapaz sentou-se para comer seu bolo e beber seu vinho. Como da primeira vez, o velho apareceu e perguntou:
- Você pode dar-me uma fatia desse bolo e um gole desse vinho?
- Eu não! Não vou dividir com ninguém o meu bolo e o meu vinho. Vá pedir a outro.
O castigo não demorou. Mal deu algumas machadadas e já um golpe de mal jeito feriu sua perna.
Junto com seu irmão, ficou em casa, sem poderem mais cortar lenha. Diante disso, pediu Boboca:
- Posso ir à floresta?


- Você, Boboca? Se nós, que somos espertos, nos ferimos, imagina você! - responderam os dois irmãos.
- Mas, se eu não cortar lenha hoje, como vamos acender o fogo da lareira?
Afinal Boboca teve licensa para ir à floresta com um machado, um pedaço de pão e uma garrafa de vinho.
Satisfeito, Boboca trabalhou o dia inteiro, cortando árvores grandes e pequenas. No fim da tarde, já cansado, sentou-se num toco de árvore e começou a comer seu pão e beber seu vinho.
Nesse momento, o velhote baixinho, de barbas brancas apareceu e disse, como das outras vezes:
- Estou com muita fome e sede. Você pode dar-me uma fatia do seu bolo e um gole de sua garrafa?
- Tenho apenas este pãozinho seco, sem manteiga, e um resto de vinho azedo. Mas, se quiser, podemos sentar e comer.
Sentaram-se e, quando Boboca abriu a sacola, o simples pão havia se transformado em deliciosa torta de nozes e sua garrafa estava cheia de bom vinho.
Depois de comerem e beberem à vontade, o velho disse- Boboca, vejo que você tem um bom coração.
Sabe dividir o que é seu. Como agradecimento, vou dar-lhe uma boa sorte na vida. Vá até aquela árvore, ali adiante, use o machado e encontrará uma surpresa.
O velhinho despediu-se e Boboca foi depressa fazer o que ele tinha mandado.
Depois de algumas machadadas na velha árvore, Boboca deu um grito:
- Um ganso de ouro! E tinha ali um belo ganso coberto com penas de ouro!
Com seu ganso de ouro debaixo do braço Boboca resolveu mudar de vida.
- Vou deixar minha cidade e correr o mundo! Com a ajuda desse ganso e a proteção daquele bom velhinho, tudo vai da certo.


E assim Boboca parou em uma pequena hospedaria, para jantar e dormir. As três moças da casa, Malvina, Firmina e Carolina, pensaram, ao ver o ganso
- Eu quero ao menos uma peninha de ouro desse ganso.
- Quando o dono dormir vamos no seu quarto e ...
- Ficaremos ricas com algumas dessas penas de ouro!
Quando a primeira moça tocou no ganso, deu um grito de espanto:
- Ui, estou presa! Estou colada nesse ganso!
A segunda entrou no quarto, procurando o ganso, e, ao tentar desgrudar a primeira, acabou colada também.
- Socorro! acudam! Estamos grudadas neste ganso! - gritaram as duas irmãs. A terceira veio correndo, ao ouvir os gritos, e também ficou presa ao puxar as outras pelo vestido! Assim, tiveram que passar a noite inteira coladas ao ganso. De manhã, Boboca saiu pelas ruas, carregando o ganso e as três moças que gritavam e choravam atrás dele!
Muito assustado com aquela cena, disse o padre que passava:
- As moças de hoje não se envergonham de correr atrás dos moços!
Dizendo isso, puxou a mão da última moça, para que não continuar a perseguição.
Mal tocou nela e ficou preso também, o sacristão gritou, ao ver o padre perseguindo aquela fila:
- Onde vai tão depressa seu Padre? Não esqueça que ainda temos um casamento e um batizado para hoje!
Ao puxar o padre pela manga, também ficou colado.


Quando os cinco iam correndo, cada um mais bavo do que o outro, o sacristão gritou para dois assombrados trabalhadores que assistiam a tudo de boca aberta:
- Não fiquem ai parados! Venham ajudar-nos a sair dessa encrenca!
Sem saber como, e nem porque os dois, de cesta e enxada na mão, entraram o fim da fila.
Aos trancos e barrancos, a caravana chegou a uma cidade onde existia uma princesa tão triste que jamais tinha dado risadas na vida.
- Dou a princesa em casamento para aquele que a fizer rir. - Esta era a promessa do rei e por isso mesmo Boboca entrou com sua caravana palácio a dentro.
Ao ver toda aquela gente, colada, gritando e correndo atrás de um ganso, a princesa não resistiu e começou a rir.
- Agora seu rei, cumpra sua promessa. Quero casar com a sua filha - disse Boboca, emocionado diante da linda moça.
Para saber se Boboca era esperto e merecia mesmo a mão da princesa, o rei exigiu, em primeiro lugar, que ele descobrisse alguém capaz de comer todo o pão de seu reino. Em segundo lugar, era preciso trazer alguém que bebesse todo o vinho do seu reino. E, por fim, desafiou Boboca a trazer uma caravela que andasse tanto na água quanto na terra.


Com a ajuda do seu protetor, o velho barbudinho, Boboca conseguiu satisfazer todos os desejos do rei.
No final dessa história, o ganso libertou as sete pessoas da fila e prendeu o coração da princesa ao coração de Boboca. para o resto da vida.
No casamento do pequeno lenhador e da princesa risonha os convidados de hora eram o velhote barbudinho e o gansou de ouro.
Entre outros convidados também se encontravam, Malvina, Firmina e Carolina, o padre e o sacristão, além  dos trabalhadores de enxadas e de cesta na mão.
E, assim, eles foram felizes para sempre.
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