Espiritismo é Religião?


O que é religião. dicionário Aurélio (1999) religião é: 1. Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adoradas(s) e obedecida(s). 2. A manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem em geral, preceitos éticos.Como se vê, na definição clássica de religião existe dualidade que envolve uma crença num ser superior, e um aspecto de culto e rito. 
Allan Kardec diz no livro, O Que é o Espiritismo (2003/1864, p. 12), no seu preâmbulo: “O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações”. E diz ainda que: “O Espiritismo sendo independente de toda forma de culto, não prescreve nenhum deles, e não se ocupa de dogmas particulares, não é uma religião especial, porque não tem nem seus sacerdotes e nem seus templos”  na mesma literatura, p.190). Cita portanto: “Eis porque sem ser, em si mesmo, uma religião, o Espiritismo leva essencialmente às idéias religiosas, as desenvolve naqueles que não as têm e as fortifica naqueles em que elas são hesitantes” .



Na Revista Espírita, Vol.11, apud: Rizzini, 1987, p.95) também diz: “No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos ufanamos disso, porque esta é a Doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as leis da Natureza. Por que então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Por isso: só temos uma palavra para exprimir duas idéias diferentes e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da idéia de culto; revela exclusivamente uma idéia de forma e o Espiritismo não é isso”.



Enfim, para Allan Kardec, bem como para qualquer um de nós que fazemos parte desse valioso estudo, o Espiritismo é uma doutrina científica e filosófica de conseqüências morais, e deixa o título de religião para os cultos formadores de dogmas hipócritas, mas reconhece num sentido filosófico que o Espiritismo é religião, porque de uma certa forma a religião serve de laço que nos une em sentimentos e condutas morais.
Espiritismo é a busca do conhecer a si e a outrem, de tal forma a descobrir o verdadeiro amor de Deus e, ainda descobrirmos que estamos quando humanos, muito a quem de sentir algo tão Superior, pois que DEUS não existe, DEUS É, a Plenitude

Aparecida Camilo.
Espiritismo e Filosofia


O nome filosofia vem do grego e significa “amor à sabedoria”. A Filosofia, segundo o novo Dicionário Aurélio, “é um estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade (...)”.
O filósofo era na antiguidade o representante da busca pelo saber. E o que ele estudava? No entender dos filósofos: “tudo”. A Filosofia é um estudo que tem por finalidade ampliar o nosso conhecimento da realidade, e tem por objeto de estudo o homem e o universo. A diferença entre a Filosofia e a Ciência é que enquanto a Ciência busca conhecer muito sobre um tema específico, a Filosofia avalia toda uma vastidão de conhecimentos para encontrar uma síntese desses fenômenos. A Filosofia pode também ser diferenciada pelo instrumento de pesquisa, pelo método e pela finalidade.



 Enquanto a Ciência utiliza-se dos mais variados instrumentos, como, telescópios, microscópios, computadores, etc. A Filosofia utiliza basicamente a razão, o raciocínio puro, como instrumento de pesquisa da verdade.
O método em sua essência se utiliza da indução e da dedução. O primeiro, através dos fatos, descobre os princípios primeiros; o segundo ilumina os fatos com os princípios primeiros, para compreendê-los melhor.
A Filosofia não está voltada para fins práticos como a Ciência. Ela tem como único objetivo o conhecimento e por extensão, a verdade em si mesma.
Apesar de todas as coisas serem suscetíveis de pesquisa filosófica, alguns problemas são de preferência, estudadas pela Filosofia: a Lógica (se ocupa do problema da exatidão do raciocínio); a Epistemologia (o valor do conhecimento); a Metafísica (do fundamento último das coisas em geral); a Ética (a origem e natureza da lei moral, da virtude e da felicidade); A 

Teologia (da existência e natureza de Deus e das relações com os homens); a Estética (do problema do belo e da natureza e função da arte); e a Axiologia (o problema dos valores); Cosmologia (a constituição essencial das coisas materiais, da sua origem e de seu devir).
As teses fundamentais que integram a Doutrina Espírita encontram-se no “O Livro dos Espíritos”, as quais podem ser identificadas com as principais categorias filosóficas.
A Filosofia Espírita apesar de se encaixar dentro dessas categorias, não é propriamente um saber clássico. Em muitas de suas facetas ela é um assunto novo e vibrante. 

Primeiramente, o Espiritismo aborda um Universo dual, com um componente material e outro espiritual. Com isto se abre diante de nós toda uma gama de possibilidades de estudo. Neste Universo espiritual habitam espíritos, que são criados simples e puros, para evoluírem e aprenderem com seus próprios erros e experiências, trilhando um longo caminho até compreender a relação entre Deus e o Homem, alcançando uma harmonia entre o conhecimento, a moral e a inteligência. O espírito e o espiritual, certamente não fazem parte desta filosofia tradicional, por isso podemos falar de uma nova filosofia que se nos mostra: “a Filosofia Espírita”, possuidora de uma cosmologia, uma metafísica e uma ética próprias, apesar de baseada na ética cristã.
Para Jon Aizpúrua (2000) o Espiritismo é:
  •       Uma filosofia deísta, porque reconhece a existência de Deus como força inteligente e causa primária de todas as coisas;
  •       Uma filosofia espiritualista, porque afirma a existência do espírito como princípio independente da matéria, assim como sua sobrevivência após a morte;
  •       Uma filosofia evolucionista, porque admite que a evolução é a lei que rege o Universo, presidindo todas as transformações, tanto de ordem física como de ordem espiritual;
  •       Uma filosofia científica, uma filosofia racionalista e humanista, porque coloca o ser humano e as suas necessidades no centro de suas atenções.
  •  

    Devemos nos lembrar que a Filosofia Espírita não é um alimento somente para o intelecto, mas também para a alma que sente e sofre, que presencia a alegria mas às vezes sucumbe à tristeza. Lembremos o que disse Kardec (1995, p.483):
    “Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos fatos materiais.”

    Jorge Cordeiro
    Espiritismo e Ciência


    O Método Espírita

    Kardec presenciou os fenômenos das mesas girantes, e por ter uma personalidade curiosa e investigativa, tomou para si um propósito de explicar o que estava acontecendo. Kardec tinha uma profunda base científica e filosófica, e usando destas resolveu se debruçar sobre estes fenômenos, como o astrônomo que diante das estrelas procura conhecer os seus segredos. A princípio cético e sem nenhuma pressuposição, passou a freqüentar mais assiduamente às sessões 

    mediúnicas, cujo desenrolar e conteúdo logo o levaram a aprofundar sua pesquisa. Com seu espírito observador, passou a aplicar o método da observação experimental nos fenômenos que se manifestavam. Ele estudou as mensagens transmitidas pelos médiuns tão friamente e racionalmente, como estudou os próprios médiuns, avaliando seu linguajar, sua educação ou sua cultura geral, e concluiu que eles não poderiam de forma alguma tecer comentários tão profundos e superiores como das pessoas mais sábias que pisaram o planeta, ou tão banais e simplórios como de qualquer pessoa sem estudo, muito aquém do nível destes médiuns. Algumas mensagens eram de conhecimento muito íntimo de pessoas já falecidas, que de nenhuma forma eram do conhecimento geral, e outras muito racionais para uma personalidade poética, ou muito poética para uma personalidade prática. Ouviu explicações variadas de temas importantes, como Deus, o 

    homem, a natureza ou o sentido da vida. Não tinha outra explicação plausível: os mortos se manifestavam por esses médiuns e toda uma nova filosofia nascia, toda uma nova série de fenômenos se apresentava, era chegado o momento de revelar ao mundo a doutrina dos espíritos. Ele acreditava na manifestação dos espíritos pela profundidade e pela lógica do que se discutia e se apresentava, não pela manifestação em si, ou pelas mudanças apresentadas pelos médiuns, seja na voz ou na postura ou por algum efeito físico concomitante como materializações ou levitação de objetos. A beleza, a simplicidade, a coerência e a unidade de visão do que os espíritos falavam era que tornava convincente esta realidade.
    Ele usou o que hoje se poderia nomear na filosofia fenomenológica de redução eidética [1]. Ele fez múltiplas perguntas a vários médiuns diferentes e de vários níveis de cultura, e coletou uma série de respostas sobre os mais diversos temas. Destas respostas ele procurou uma unidade, procurou retirar o que era imutável, retirar a sua essência e disto surgiu o que representava o pensamento dos espíritos de escol para a humanidade, e nos foi dada a Ciência dos Espíritos.


    O Espiritismo como Ciência

    Vimos portanto que o método empregado por Kardec para a fundamentação da Doutrina Espírita foi o método da observação experimental e se ajusta perfeitamente ao que se faz em ciência para descobrir as leis que regem os fenômenos investigados. A partir dos dados coletados e avaliados, Kardec provou a existência do espírito, que é a sua essência, o seu Eu que sobrevive à morte e que é a sede das emoções e do pensamento, pois esse Eu retornara do túmulo e através da mediunidade “de efeitos intelectuais”, apresentava uma personalidade que era reconhecida por amigos, parentes, conhecidos ou por uma avaliação da cultura que apresentava, por suas idéias particulares ou sua moral. Era como uma impressão digital insubstituível, uma característica que era própria ou uma lembrança que era particularmente sua. E estas características ou lembranças servem para comprovar a identidade de uma pessoa, como também a sobrevivência desta pessoa à morte, como tantas vezes se apresentou na história do Espiritismo. Não se pode dizer que a Ciência Espírita, seja uma ciência tradicional nos moldes da Biologia, da Química ou da Física. Não temos para apresentar ao mundo o peso de um

    espírito, ou sua composição química, ou um molde de seus órgãos internos, pois o Espiritismo não é do domínio da ciência tradicional, mas é uma ciência por seu método científico de investigação e uma Filosofia moral por suas implicações. Como disse Kardec (1857/2003):
    “As ciências ordinárias repousam sobre as propriedades da matéria que se pode experimentar e manipular à vontade; os fenômenos espíritas repousam sobre a ação de inteligências que têm a sua própria vontade e nos provam a cada instante que elas não estão à disposição dos nossos caprichos. As observações, portanto, não podem ser feitas da mesma maneira; elas requerem condições especiais e um outro ponto de partida; querer submetê-las aos nossos processos ordinários de investigação, é estabelecer analogias que não existem. A Ciência, propriamente dita, como ciência, portanto, é incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e seu julgamento, qualquer que seja, favorável ou não, não poderia ter nenhuma importância. (p. 23-4)


    Donde se conclui que o Espiritismo não necessita da Ciência Materialista ou de seus cientistas, pois nem a Ciência nada tem a oferecer ao Espiritismo em sua fundamentação nem os cientistas podem explicar os fenômenos espíritas mais coerentemente que seus estudiosos. Não devemos pois incorrer no erro dos grupos de estudos que surgiram após a doutrina espírita como a Metapsíquica de Charles Richet, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas inglesa ou americana ou a própria Parapsicologia que tenta estudar entre outras coisas a existência do espírito ou a sobrevivência do mesmo à morte, usando de fundamentos positivistas (o que é uma incoerência, pois o positivismo exclui a metafísica).
    Nas palavras de Aécio P. Chagas (1995):



    Muitos estudiosos têm se envolvido numa determinada linha de pesquisa, que remonta à época das mesas girantes, e que tem por objetivo provar a existência do Espírito através de métodos físicos. Apesar de não estar só, em minha obscura opinião, esta linha não chegou e nem chegará a nada, pois os métodos físicos são adequados para estudar a matéria (foram feitos para isto). Caso alguém evidencie a presença do Espírito através de um método físico, cabe sempre um questionamento metodológico, e daí não se chega a parte alguma. Por outro lado, muitos confrades poderiam ainda argumentar com o fato de Kardec, em suas obras, mencionar várias vezes que o Espiritismo e a Ciência marchariam lado a lado. Estas afirmações poderiam causar (e causam) em muitos leitores a impressão de que Kardec falava das ciências da matéria. Creio que Kardec tinha em mente a Ciência Espírita, que ele acreditava com toda a certeza, que ainda estava no começo e que iria crescer...”
    A este respeito também comenta Sílvio S. Chibeni (1988):


    “... é preciso cautela no entendimento da progressividade do Espiritismo...ela deve ocorrer...sem recurso a elementos estranhos, venham de onde vierem, sob o risco de este perder sua consistência...a harmonia com as conquistas da Ciência não deve ser buscada irrestritamente e a qualquer preço, visto estar ela, em suas proposições abstratas, constantemente sujeita a enganos e retificações...aparentemente, os que em nossos dias advogam a tese do ”ajuste à Ciência” ainda não se deram conta desse fato, nem perceberam que...em A Gênese, Kardec deixou clara uma ressalva, ao falar desse ajuste...”
    A passagem comentada por Chibeni em “A Gênese” de Kardec (1868/2002) é a seguinte:
    O Espiritismo não coloca, pois, como princípio absoluto, senão o que está demonstrado como evidência, ou que ressalta logicamente da observação. Tocando em todos os ramos da economia social, às quais presta o apoio de suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas , de qualquer ordem que sejam, chegadas ao estado de verdades práticas, e saídas do domínio da utopia; sem isso se suicidaria; cessando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial” (p. 40).


    Como vimos, o Espiritismo e a Ciência Positivista são de domínios diferentes, e portanto, estudos que visam desvendar características materiais, usando aparelhos para captar manifestações que são intimamente de outra ordem, são esforços desperdiçados e de pouca utilidade pois a existência do espírito para o espírita já é uma realidade objetiva nas mesas mediúnicas. Quando na verdade, deveríamos estar aumentando nosso conhecimento sobre a mediunidade e seu desenvolvimento, o plano espiritual, as conseqüências de nossos atos, ou melhorando-nos moral e eticamente, pois a finalidade da vida revelada pelos espíritos é o aperfeiçoamento da alma e a eliminação de  nossas deficiências, desenvolvendo um espírito de caridade e amor por nossos semelhantes.

     Jorge Cordeiro

     [1] – “A Redução Eidética (em grego, éidos significa essência ou idéia, no sentido platônico) é o momento em que a consciência deve tornar-se capaz de perceber que, para além da coisa, com o seu conjunto de dados sensíveis ou psíquicos, há um sentido nela latente. O sujeito do conhecimento deve tornar-se capaz de perceber esse sentido para além da coisa. É preciso perceber que as aparências encobrem o sentido que deve ser desvelado. Nesse momento, a consciência torna-se segura de que há um "interior", uma essência, para além das aparências”.

    Espiritismo


    Em 1857 com a publicação de “O Livro dos Espíritos” de Alan Kardec, pseudônimo de Hypolite Leon Denizard Rivail, pedagogo, filósofo, escritor e cientista, o mundo veio a conhecer o Espiritismo, doutrina de características científicas, filosóficas, e morais.
    O século XIX foi escolhido pela espiritualidade para ser um período de aumento do intercâmbio entre o “mundo espiritual” e o “mundo físico”, pois o Homem já estava consciente o suficiente para que entendesse as relações entre os planos de existência, que eram conhecimentos exclusivos de grupos esotéricos fechados.
    Com a Doutrina Espírita o mistério da vida e da morte foi revelado em níveis nunca antes tão explícitos, e com o conhecimento advindo de tais revelações, o amor e a confiança em Deus aumentaram sensivelmente, motivados por uma fé raciocinada.  
    O destino do Homem é ser feliz tornando-se gradativamente ao longo de uma longa jornada evolutiva, livre da dor, do sofrimento e da ignorância, alcançando a angelitude, caminhando para Deus.
    Templários


    Tal como acontece com muitas outras seitas secretas do mundo antigo, a influência do culto guerreiro dos assassinos pode ser encontrada em outra sociedade fechada, a da ordem militar cristã dos Cavaleiros Templários. Poucas instituições medievais inspiraram mais respeito - embora tingido pelo medo e pela inveja - do que esta ordem militante dedicada à proteção dos peregrinos cristãos na Terra Santa.
    A Ordem dos Cavaleiros Templários foi fundada em 1118 pelo nobre francês Hugues de Payns e outros oito soldados veteranos. Dedicados a garantir uma passagem segura entre o porto de Jaffa (em Israel atual) e a cidade de Jerusalém, os cavaleiros tiraram seu nome, Cavaleiros Pobres do Templo, do Templo de Salomão da cidade santa, local onde eles, supostamente, ficaram aquartelados pela primeira vez. Jerusalém fora arranca da do domínio muçulmano pela Primeira Cruzada, dezenove anos antes, mas os exércitos cristãos que ocupavam a cidade e os territórios próximos estavam sob constante ameaça de árabes hostis. Posto que um estado de guerra mais ou menos contínuo existia entre as duas forças, foi com gratidão que a Igreja Católica recebeu os serviços de Payns e seus pios cavaleiros. Em 1128, líderes religiosos reunidos em concílio em Troyes, França, decidiram reconhecer oficialmente os Cavaleiros Templários, tal como vieram a ser conhecidos, como uma nova ordem religiosa.
    Mesmo servindo às necessidades da cristandade, uma ordem religiosa marcial estava em franco conflito com a política tradicional da Igreja, que proibia os membros do clero de portarem armas. Os cavaleiros eram uma classe guerreira, e a Igreja tendia a vê-los como ímpios e licenciosos. Em 1095, Bernardo de Clairvaux descreveu-os como "velhacos descrentes, saqueadores, sacrílegos, homicidas, perjuros, adúlteros". A idéia das cruzadas foi em parte lançada para canalizar as energias irrequietas dos cavaleiros. A criação dos Cavaleiros Templários foi vista como um modo de redimir uma classe sem lei, e, com efeito, muitos dos recrutados haviam sido antes excomungados. Apesar da opinião que tinha dos guerreiros em geral, Bernardo era um grande admirador da ordem e seu patrono oficioso. Chamando-os de "executores legais de Cristo", absolveu os templários do pecado de matar, contanto que suas vítimas fossem inimigos da Igreja.
    Tal como outras ordens religiosas, os templários faziam votos de pobreza, castidade e obediência e, exceto pelo porte de armas, viviam em tudo como monges. A Regra do Templo, que governava suas vidas cotidianas, foi provavelmente sugerida por Bernardo. Ela incluía o silêncio estrito nas refeições e a recitação de orações em horários fixos. Para garantir a castidade, os templários dormiam totalmente vestidos em dormitórios iluminados e não tinham permissão para beijar nem mesmo suas mães. Além disso, estavam proibidos de participar de qualquer reunião que pudesse evocar-lhes sentimentos de saudades da vida familiar. Como soldados do Senhor, os templários faziam voto de jamais recuar em batalha, mesmo contra forças esmagadoras. Os membros eram punidos com severidade por infringir mesmo a regra aparentemente mais trivial. Um cavaleiro, por exemplo, foi expulso da ordem por ter perdido um cavalo que pedira emprestado para caçar lebres (esta foi na verdade uma infração dupla, posto que os templários estavam proibidos de caçar qualquer coisa menos nobre que um leão - o que, para todos os propósitos práticos, correspondia a linces do deserto).
    O emblema dos templários era um cavalo com dois cavaleiros, simbolizando a pobreza e a fraternidade. Bernardo era claramente mais favorável a esse bando rústico do que aos cavaleiros seculares ricos, observando que os templários eram vistos "raramente lavados, com suas barbas desgrenhadas, suarentos e cobertos de poeira, manchados pelos arreios e pelo calor". Os cavaleiros templários vestiam um manto branco com uma cruz vermelha como brasão e cavalgavam para a batalha atrás de um estandarte branco e preto chamado de Beauseant, em homenagem aos cavalos malhados, favoritos dos fundadores da ordem. A mesma palavra tornou-se seu grito de batalha.
    Do mesmo modo que outras organizações medievais, os templários estavam organizados em uma rígida hierarquia. O chefe da ordem era o grão-mestre. Abaixo dele, um grão-prior chefiava cada um dos muitos capítulos regionais encontrados por toda a cristandade. Os cavaleiros de manto branco eram recrutados entre as famílias nobres e formavam o corpo de oficiais da ordem; além destes, uma classe secundária de sargentos, ou irmãos servidores, vinha de famílias sem títulos de nobreza e usava mantos castanhos ou negros. Abaixo dessas duas classes combatentes estavam os escalões inferiores de escudeiros, ou atendentes e demais serviçais e trabalhadores que cuidavam das propriedades e castelos dos templários.
    Os cavaleiros eram iniciados no templo em uma cerimônia secreta celebrada à noite, na casa do capítulo sob guarda. O grão-prior perguntava diversas vezes aos cavaleiros reunidos se tinham qualquer objeção ao ingresso do noviço para a ordem. Não havendo, ele repetia as regras da ordem e perguntava ao noviço se este tinha esposa ou família, dívidas ou doenças e se devia vassalagem a qualquer outro senhor. Tendo respondido negativamente, o noviço ajoe­lhava-se, pedindo para tornar-se um "serviçal e escravo" do templo e jurando obediência em nome de Deus e da Virgem Maria. Finalmente, o manto branco era posto sobre seus ombros e o iniciando era recebido nas excelsas fileiras dos Cavaleiros Templários.
    O segredo que rodeava a investidura e outras cerimônias templárias conferia um caráter misterioso à ordem e alimentava os rumores sobre as atividades em seus claustros; os adversários murmuravam a respeito de perversão sexual e ocultismo. Com o tempo, tais acusações passaram a ser feitas em público e no início do século XIV, após duzentos anos de serviços, a lenda dos Cavaleiros Templários teve um final abrupto e triste.
    A queda dos templários pode ser atribuída a diversos fatores. Um deles foi o declínio das cruzadas no final do século XIII, minando o propósito original da ordem. Outro foi a riqueza coletiva desses cavaleiros "pobres". Sustentar um exército em pé de guerra em uma série de fortificações a milhares de quilômetros de casa exigia recursos consideráveis. Com o tempo, os templários acumularam grandes quantias de dinheiro, originário de doações e das rendas de suas propriedades, as quais, por serem propriedades religiosas, estavam isentas de impostos. Os templários aprenderam a administrar suas rendas com grande habilidade e, no processo, tornaram-se os banqueiros de grande parte do mundo ocidental. Reis e príncipes confiavam seu ouro à ordem, cujos templos eram as estruturas mais robustas e mais fortemente defendidas de toda a Europa. Talvez fosse inevitável que os monarcas medievais - a maioria deles em perpétua busca de ouro para financiar suas guerras incessantes - lançassem um olhar de inveja para os cofres dos templários. O começo do fim chegou em uma sexta­-feira, 13 de outubro de 1307, quando Filipe IV (que devia dinheiro à ordem) ordenou a prisão de todos os templários em seu reino. Filipe acusou os cavaleiros de heresia, mas suas motivações podem ter tido menos a ver com a piedade do que com a perspectiva de forrar os bolsos com ouro templário. Um mês depois, por insistência de Filipe, o papa Clemente V deu a todos os soberanos carta branca para prender os templários e tomar posse de suas propriedades. Muitas das acusações feitas contra a ordem diziam respeito à cerimônia de iniciação do grupo, alegando que os noviços faziam votos de entregar-se a atividades homossexuais e a práticas blasfemas como cuspir ou urinar sobre a cruz. Os acusadores afirmavam que os cavaleiros adoravam o diabo, às vezes sob a forma de um gato negro que eles beijavam atrás do rabo e outras vezes como um ícone conhecido como Bafomé. Alegava-se que os cavaleiros usavam óleo extraído de bebês assassinados para massagear Bafomé, descrito como uma cabeça humana empalhada ou como um crânio cheio de jóias montado sobre um falo de madeira.
    Bafomé era uma corruptela do nome do profeta islâmico Maomé e a alegação de adoração desse ídolo macabro era parte de uma acusação mais geral, segundo a qual os templários eram secretamente muçulmanos. Com certeza, depois de duzentos anos vivendo no Oriente Médio os templários haviam absorvido grande parte da cultura do inimigo. Muitos cavaleiros falavam árabe e, ao contrário da maioria dos europeus, seguiam a moda árabe de usar barba. Ocasionalmente, lutaram lado a lado com os assassinos contra outras facções árabes na guerra intestina que, ontem como hoje, era típica do mundo muçulmano. Os críticos dos templários salientaram as semelhanças de vestimenta e organização dos dois grupos e chegaram até a acusar os cavaleiros de serem um grupo auxiliar encoberto dos assassinos. A maioria dos historiadores nega essas acusações. Contudo, sabe-se que pelo menos um templário, o cavaleiro inglês Robert of St. Albans, converteu-se ao islamismo e comandou um exército muçulmano. Ha também uma lenda persistente a respeito de uma "tribo de cruzados" que seria descendente de desertores templários e teria adotado os modos muçulmanos e sobrevivido por séculos no norte da Arábia.
    Com base em tais alegações, os apaniguados do rei Filipe aplicaram medidas extremas para extrair confissões dos templários; dias depois da captura, 36 cavaleiros morreram em virtude das torturas recebidas nas masmorras do rei. Três anos depois, em 1310, 54 templários foram queimados. A perseguição continuou, a despeito da admissão, feita pelo papa Clemente V em 1312, de que a igreja não tinha provas da heresia. Contudo, cedendo mais uma vez às pressões do rei, o papa decretou a dissolução da ordem dos Cavaleiros Pobres do Templo.
    Os templários que não morreram sob os tormentos do rei tiveram permissão de juntar­-se a outra ordem ou voltar à vida secular. No entanto, o último grão-mestre dos cavaleiros, Jac­ques de Molay, foi condenado à prisão perpétua após tornar pública sua confissão particular. De Molay, porém, embaraçou os funcionários do estado e da igreja ao declarar publicamente que sua ordem era inocente. Por este último ato de imprudência, de Molay foi sentenciado à fogueira. Quando as chamas o envolveram, ele amaldiçoou tanto o rei quanto o papa, chamando-os a julgamento diante de Deus - Clemente em quarenta dias e Filipe dentro de um ano. Ambos morreram de acordo com a previsão de Jacques de Molay.

    Texto extraído do site Terra Espiritual.

    Illuminati


    Em 1776, mesmo ano em que Cagliostro – curandeiro, fundador de um rito egípcio de Maçonaria - se estabeleceu em Londres, um professor bávaro de direito chamado Adam Weishaupt fundara uma organização filosófica de ambições sem paralelo. Chamada de Ordem dos Illuminati, essa agremiação durou apenas cerca de dez anos antes de ser proibida e erradicada pelo governo. Contudo, sua influência e notoriedade subsistem até hoje, em parte devido à profunda associação que ela formou com os maçons. O propósito declarado da Ordem dos Illuminati era "estimular uma visão humana e sociável; inibir todos os impulsos viciosos; apoiar a Virtude, onde quer que seja ameaçada ou oprimida pelo Vício; promover o progresso das pessoas de mérito e espalhar os conhecimentos úteis entre as numerosas pessoas que estão hoje privadas de toda educação". Os princípios desse manifesto podem parecer tão inatacáveis quanto os das constituições maçônicas de 1723. O que Weishaupt deixou de dizer, porém, era tão importante quanto o que disse. Ele acreditava que os jesuítas que dominavam a Bavária eram opressores, responsáveis pelas deploráveis condições do país e do povo, e que o poder enraizado da Igreja devia ser desafiado e, com o tempo, substituído. O que Weishaupt buscava, escreveu George Johnson, era um mundo "em que as divisões de classe, religião e nação fossem superadas e todos os povos se unissem em uma fraternidade universal. Tal como o filósofo francês Rousseau, Weis­haupt tinha visões de uma época em que a humanidade reconquistaria um sentido natural de igualdade e felicidade, sem corromper-se com a religião organizada e com as distinções de classe". Seu objetivo supremo, embora ele tenha tido o cuidado de não o declarar, era uma revolução sem sangue que estabelecesse o milênio na terra.
    Por mais ingênuas que fossem as metas de Weishaupt, ele tinha táticas astutas. Seus discípulos recebiam um rigoroso programa de estudos, progredindo através de idéias cada vez mais complexas, até conquistarem o título de areopagitas (membros da antiga corte suprema de Atenas). Cuidando para que suas idéias não provocassem os poderosos, Weishaupt erigiu um muro quase impenetrável de segredos em torno de sua ordem: somente os areopagitas podiam saber que ele era o líder. Os comunicados escritos entre os membros tinham que ser em código. Os líderes illuminati e os locais de reunião das lojas recebiam nomes secretos tomados dos tempos antigos. Os membros eram estimulados a espionarem-se e a fazer relatórios para seus superiores.
    A maçonaria, para Weishaupt, oferecia um campo de recrutamento já pronto. Sabia o bastante sobre os maçons para ter a certeza de que tais livre-pensadores seriam receptivos a sua mensagem e acrescentou ao mapa organizacional dos illuminati várias fileiras que permitiriam que os maçons se juntassem a eles. Da Bavária, os illuminati difundiram-se com rapidez para a Áustria, Suíça, Boêmia, Itália e Hungria, atraindo milhares de membros, muitos deles maçons. Então, em 1794, a grande aventura de Weishaupt começou a azedar.
    Um novo soberano muito mais conservador, o duque Carlos Teodoro, tomou o poder na Bavária e imediatamente emitiu um edito que proibia todas as sociedades sem autorização. Um segundo edito, no ano seguinte, citou explicitamente os maçons e os illuminati e isso foi o bastante para Weishaupt, que fugiu da capital, Munique, e procurou refúgio em Regensburg. O colapso final ocorreu quando os homens do duque atacaram a casa de um ex-membro dos illumi­nati e acharam diversos documentos incriminatórios, inclusive cartas escritas com o código misterioso. Entre os escritos confiscados havia alguns que, para a época, inclinavam a balança do livre-pensamento perigosamente para o lado da ilegalidade e da imoralidade: tratados em defesa do suicídio, descrições de experiências químicas, uma revelação de que Weishaupt procurara um aborto para uma mulher que ele havia engravidado. Os papéis foram publicados por uma comissão governamental, e a lenda negra nasceu.
    Os illuminati tornaram-se a sensação da Europa. Até 1790, mais de cinqüenta obras sobre o grupo haviam sido publicadas, detalhando esquemas diabólicos e as práticas pagãs da ordem e, com freqüência, implicando nelas os maçons, para completar o serviço. Diversos escritores especulavam que os illuminati não tinham se dissolvido, mas apenas passado para a clandestinidade.
    Quando o grande levante de 1789 destronou a monarquia e a igreja na França, muitas pessoas, assustadas com um mundo que lhes parecia estar escapando ao controle, procuraram por um culpado. Os maçons e a Ordem dos Illuminati eram candidatos convenientes, até lógicos. As pessoas não haviam deixado de notar que o símbolo maçônico do triângulo aparecera nos emblemas de grupos revolucionários franceses, nem que alguns destacados líderes da revolta, como Lafayette e o duque de Orléans eram de fato maçons. O que não estava sendo levado em conta era que, ao mesmo tempo em que alguns maçons assaltavam a Bastilha, outros davam seu apoio à ordem estabelecida. Para alguns, a prova da cumplicidade maçônica estava no sempre persuasivo conde Cagliostro. De sua cela em uma prisão italiana, ele subitamente anunciou ter conhecimento de uma conspiração mundial de illuminati e maçons. Isso parece ter sido uma tentativa desesperada - e fracassada - do conde para obter clemência.
    O que hoje em dia se chama teoria da conspiração surgiu na avalanche de livros, folhetos e artigos denunciando os illuminati e ligando-os a uma lista cada vez maior de supostos conspiradores. O escopo das acusações reflete-se no título de um livro contra os illuminati publicado em 1797: Provas de uma Conspiração contra Todas as Religiões e Governos da Europa, Perpetrada em Reuniões Secretas de Maçons, Illuminati e Sociedades de Leitura, Colhidas de Boa Fonte. O livro foi um sucesso de vendas internacional e, trinta anos depois, quando os maçons foram implicados no desaparecimento de William Morgan de Batávia, muitos americanos tiveram a idéia de tirar um exemplar poeirento do Provas de uma Conspiração da prateleira e folheá-lo de novo.
    O pânico anti-illuminati atingiu seu auge na virada do século XIX, e numerosas figuras políticas americanas importantes, que por acaso também eram maçons, viram-se na Berlinda. Quando um ministro luterano escreveu a George Washington expondo seus temores, Washington respondeu que sabia dos "nefandos e perigosos planos e doutrinas dos illuminati", mas que tinha a certeza de que a maçonaria americana não estava envolvida. Thomas Jefferson leu Provas de uma Conspiração e outros folhetos anti-illuminati, e não lhes deu importância. "Posto que Weishaupt vivia sob a tirania de um déspota e dos sacerdotes, sabia que a cautela era necessária até mesmo para difundir informações, e os princípios da moralidade pura", escreveu Jefferson. “Isso deu a suas opiniões um ar de mistério, e serviu de fundamento para que o banissem (...) e é o pretexto dos delírios contra ele (...) Se Weishaupt houvesse escrito aqui, onde o segredo não é necessário em nossos esforços para tornar os homens sábios e virtuosos, ele não teria pensado em qualquer esquema secreto para tal propósito”.
    Muitos americanos pareciam fazer o mesmo raciocínio de Jefferson, e o espectro da aliança illuminati - maçons nunca se agigantou tanto nos Estados Unidos quanto em outras partes. Apesar disso, desde então, o nome dos illuminati faz aparições ocasionais nas obras de teóricos da conspiração da periferia política americana. Do mesmo modo que alguns maçons queriam acreditar que eram os herdeiros espirituais dos cavaleiros das Cruzadas, alguns americanos querem crer que a obra iniciada pelos illuminati está sendo continuada pela Comissão Trilateral, pela diretoria do Banco Central ou por humanistas seculares. George Johnson observou que Provas de uma Conspiração, com 170 anos de idade, foi reimpresso em 1967 pela John Birch Society, que aparentemente considerava os illuminati como um perigo claro e presente. De acordo com um grupo alternativo, relata George Johnson, "o símbolo da conspiração dos illuminati aparece nas costas da nota de um dólar: um olho que tudo vê sobre uma pirâmide, zombando de nós com sua mensagem oculta a cada vez que pagamos um dólar, em uma rede concebida para manter-nos nas trevas".
    Para melhor entendermos a força tanto do movimento illuminati quanto da reação a ele contrária, referimo-nos aos estatutos dos illuminati bávaros, redigido em 1781, em que os arquitetos dessa sociedade supersecreta prometiam ser "tão clandestinos quanto possível, pois tudo o que é oculto e secreto tem uma atração especial para os homens; atrai o interesse dos de fora e reforça a lealdade dos de dentro".

    Texto extraído do site Terra Espiritual.
    Cátaros


    O mesmo século XII que assistiu ao zelo religioso expressado nas cruzadas, foi também, paradoxalmente, uma época de crescente desilusão com a Igreja católica e com as maneiras terrenas do clero. Desde suas origens humildes como uma entre as muitas seitas do Império romano, a Igreja tornara-se uma instituição de riqueza e privilégio. Com freqüência, padres e bispos viviam no luxo, ao mesmo tempo que se  entregavam a práticas espúrias tais como perdoar pecados em troca de dinheiro. Em grande parte, foi como reação contra o fausto e o esplendor indecoroso da Igreja que o catarismo se enraizou, primeiramente no norte da Itália, e depois por todo o sul da França.
    Com medo da repressão da Igreja, os primeiros cátaros mantiveram sua fé em segredo. Em pouco tempo, porém, a seita atraiu tantos seguidores, que pôde passar a agir abertamente sob a proteção de senhores feudais poderosos, capazes de desafiar o papa. No sul da França, o catarismo e outro movimento vagamente semelhante, conhecido como waldensianismo, tornaram-se, na prática, as religiões oficiais.
    As teologias cátara e católica estavam em nítido conflito. Do ponto de vista católico, a salvação vinha através do sofrimento físico de Jesus, um ser espiritual que havia ingressado na carne de modo a redimir a humanidade morrendo na cruz. Segundo os cátaros, a redenção da humanidade não vinha da morte de Cristo, e sim do exemplo de vida que levou à terra. Os cátaros negavam também que o mundo físico imperfeito pudesse ter sido criado por um Deus perfeito; tal como os gnósticos e maniqueístas antes deles, os cátaros rejeitavam a visão bíblica da criação e, com efeito, todo o Antigo Testamento. Um cátaro alcançava a salvação mediante o conhecimento da verdadeira origem e destino da humanidade e através da renúncia ao mundo satânico da carne, de uma vida de abstinência e pobreza.
    Ao contrário dos católicos, os cátaros acreditam na reencarnação; se uma pessoa fracassasse em uma vida, alegavam, teria a oportunidade de ter sucesso em outra. Rejeitavam o batismo, a cruz como símbolo, a confissão individual e todos os ornamentos religiosos.Os serviços eclesiásticos eram simples e podiam ser realizados em qualquer parte. Consistiam de uma leitura do evangelho, um sermão breve, uma bênção e a Oração do Senhor. A abordagem “de volta ao básico” da liturgia feita pelos cátaros antecipou a simplicidade de algumas das seitas protestantes de épocas posteriores.
    O catarismo tinha duas classes, ou graus. Os leigos eram conhecidos como crentes. Não se exigia que seguissem as rígidas regras de abstinência reservadas para os perfecti, ou bonhommes (homens bons) eleitos, que formavam a hierarquia da igreja cátara. Qualquer pessoa que desejasse juntar-se aos perfecti, homem ou mulher, teria que enfrentar um período de prova nunca inferior a dois anos. Durante esse tempo, a pessoa renunciava a todos os bens terrenos, vivia comunalmente com outros perfecti e se abstinha de vinho e carne. Para evitar as tentações da carne, os iniciandos não podiam ter qualquer contato com o sexo oposto e faziam um voto de jamais dormir nus. No final do período de prova, o noviço recebia o consolamentum, um rito que combinava características de batismo, confirmação e ordenação, conduzido em público diante de uma grande congregação. Nesse rito, o iniciando respondia a uma série de perguntas feitas por um veterano da igreja, e depois prometia viver uma vida de pobreza, abstinência e obediência a Deus e aos evangelhos.
    A Igreja Católica fez o que pôde para combater a expansão da heresia cátara. Em primeiro lugar, tentou atrair os cátaros de volta ao rebanho despachando missões de catequese formadas por monges cistercianos, lideradas pelo chefe da ordem, o futuro São Bernardo de Clairvaux. Os monges fizeram poucas conversões, e a recalcitrância dos hereges desanimou Bernardo, cujos esforços para alcançá-los foram respondidos por vaias e apupos pelas ruas de Toulouse. 
    As regiões cátaras do sul da França estavam sob o controle político do conde Raymond VI de Toulouse, também seguidor da fé cátara. O diálogo entre as autoridades cátaras e as católicas interrompeu-se quando um escudeiro do conde assassinou um enviado especial do papa Inocêncio III a Toulouse. O assassinato deixou o papa tão enraivecido que ele, literalmente, não conseguiu falar durante dois dias. Então, ele declarou que os cátaros eram “piores que o próprio sarraceno” (termo cristão para os mulçumanos) e convocou uma cruzada para varrer a heresia de uma vez por todas. Seu apelo foi respondido com presteza por muitos cavaleiros franceses, levados a agir por diversas razões. Tratava-se da primeira cruzada dirigida contra o inimigo na Europa, de modo que não exigia nem o tempo, nem as despesas necessárias para uma cruzada na Terra Santa. Também, além da salvação prometida a todos os que se unissem à cruzada por quarenta dias pelo menos, os recrutas podiam contar com a posse dos despojos materiais do território conquistado.
    A cruzada (Albigense) foi lançada em 1209, com vinte mil cavaleiros montados à frente de um enorme exército. Em sua primeira grande vitória, os cruzados tomaram a cidade de Beziers e massacraram quase todos os habitantes, entre eles muitos que se consideravam católicos leais. Quando perguntaram ao legado papal como distinguir entre hereges e católicos, dizem que ele respondeu: “Matem-nos a todos. Deus se encarregará dos seus”.
    Contudo, a fé cátara era forte e as legiões papais enfrentaram um a longa luta. Quase quarenta anos se passaram antes que os cruzados esmagassem a última resistência armada e células secretas de fiéis cátaros sobreviveram por mais meio século. Uma medida do peso do catarismo sobre seus seguidores pode ser vista na disposição destes para o martírio. Milhares de perfecti.,diante da opção entre a morte e a conversão ao catolicismo, negaram-se a renunciar a sua fé. Morreram, às vezes de fome, acorrentados às paredes de calabouços, mas em geral queimados publicamente em grandes piras. Diante da perseguição e da tortura, alguns optaram pelo rito cátaro da Endura, uma forma santificada de suicídio pelo jejum.
    Assim, por mais um quarto de século se estenderia esta guerra e em 1243 o arremedo de resistência da região havia cessado quase que completamente. Dentre os pontos que ainda resistiam, o mais importante foi Montségur. Sitiada durante dez meses e resistindo bravamente, capitulou em março de 1244.
    Mesmo parecendo exterminado, o catarismo não morreu. Grupos isolados continuaram a exercê-lo influenciando vários outros grupos que depois chegaram ao Languedoc: valdenses, hussitas, adamitas, anabatistas e os camitas, que depois se refugiaram em Londres no início do século XVIII.
    Os intelectuais modernos têm por hábito considerar os cátaros como sendo sábios, místicos ou "iniciados" detentores de segredos cósmicos. Isto fortalece o poder de uma lenda que diz respeito a um TESOURO CÁTARO. Entretanto, esta lenda parece ter foros de realidade.
    Naquela época corria a notícia de que os cátaros possuíam um fabuloso tesouro místico, muito mais importante do que a riqueza material. No cerco de Montségur, isto é fato, se tem a notícia de que dois fugitivos, dois
    perfecti, desceram o monte na calada da noite, arriscando as suas vidas para salvarem um precioso tesouro. Foram bem sucedidos!
    Presumia-se que este fabuloso tesouro estava escondido em Montségur e depois de salvo nunca mais se ouviu comentários a seu respeito. O fato é que pelo menos vinte, dos que vigiavam Montségur e que pertenciam à milícia invasora, tornaram-se
    perfecti, devido à impressão neles provocada por algo que presenciaram num festival organizado pelos cátaros, numa trégua que lhes foi concedida devido ao seu fornecimento de reféns , para que pudessem comemorar um certo dia 14 de março.
    A história e a religião dos cátaros estão sendo cada vez mais conhecidas. É até possível falar de uma renovação, pois suas idéias estão refazendo seu caminho. Com relação a isso, não há dúvida de que uma releitura do Novo Testamento, à luz da exegese cátara, pode trazer uma nova e bela iluminação à compreensão do cristianismo. No alvorecer do terceiro milênio, os cristãos talvez se interessem em buscar nos cátaros algo da essência de sua religião de origem.

    Texto extraído do site Terra Espiritual.
    Kabbalah


    A palavra Kabbalah vem do hebraico, e significa “aquilo que é recebido”. A cabala é um sistema metafísico ou místico pelo qual os eleitos conhecerão Deus e o Universo. Este sistema eleva-los-á acima do conhecimento comum e leva-los-á a compreender o significado profundo e o plano da criação. Estes segredos são imanentes na sagrada escritura, embora não se destinem a ser entendidos pelos que interpretam o texto literalmente. O Velho Testamento é um livro de símbolos; as suas narrativas são o manto que cobre revelações divinas. “Ai daqueles que tomam o manto pela lei”. Para estes, tais relatos singelos constituem a verdade total. Se assim fosse não poderíamos chamar à Sagrada Escritura o  Livro dos Livros; se os homens sábios de hoje se reunissem e elaborassem em conjunto um livro semelhante, seria sem dúvida mais coerente, menos obscuro e menos chocante. 
    As letras hebraicas em que estão escritos os textos sagrados não são apenas signos inventados pelo homem para registrar fatos, eventos e pensamentos. As letras e os números são reservatórios de poder divino. “Os números e caracteres imutáveis”, diz Agrippa, “exalam a harmonia de Deus, sendo consagrados com o auxílio divino. Por esse motivo, as criaturas do alto temem-nos e as da terra tremem perante eles”. A tarefa do cabalista consiste em desvendar este significado oculto através de métodos transmitidos pela tradição. As verdades assim obtidas estão em conformidade com os princípios estabelecidos pelos fundadores da cabala. Mas quem eram estes fundadores? A história e a lenda discordam sobre esta questão. Lemos em textos cabalísticos que Deus em pessoa deu a conhecer a cabala em tempos bíblicos: Adão recebeu do anjo Raziel um livro cabalístico e através desta sabedoria foi-lhe possível vencer a angústia causada pela sua queda e recuperar a dignidade. O Livro de Raziel chegou às mãos de Salomão que submeteu a terra e o inferno graças a ele. Numa outra narrativa, o Livro Yetzirah é atribuído a Abraão; porém a opinião dominante é a de que Moisés recebeu no Sinai a chave para a interpretação mística das Escrituras. Ninguém anteriormente a Esdras (século V a.C.) fizera tais interpretações. Cerca de meio século após a destruição de Jerusalém, o rabino Akiba escreveu o Livro Yetzirah e o seu discípulo, o rabino Simão bar Yohai, compôs o Zohar. Eis tudo o que interessa saber sobre a lenda, sempre dada ao maravilhoso, ainda que não erre inteiramente ao situar a origem da cabala na época pré-cristã. Cento e cinqüenta anos antes de nossa era existia em Israel uma cosmogonia baseada em letras. É igualmente provável que o clero hebraico cuidasse das tradições orais à semelhança do que faziam os sacerdotes de outras nações. Que estas tradições empíricas existiam a par das escrituras é o que podemos concluir por Esdras quando se refere à revelação feita a Moisés: “Estas palavras”, diz Deus, “revelarás e estas ocultarás” (II, 14:5,6).  
    Não encontramos vestígios de uma época tão venerável nas numerosas obras da cabala, mas muitas das suas idéias estão latentes nos textos apocalípticos escritos nos séculos I e II da nossa era. Todavia, a origem de uma doutrina cabalística bem definida deverá ser situada numa época mais recente. Durante o período demarcado pelos fins do século VI d.C. e primeira metade do século XI, as influências neoplatônicas e pitagóricas transformaram a maior parte do saber num sistema metafísico de caráter especulativo. Tal mudança ocorreu não na Palestina, mas na Babilônia, onde os Geonim – presidentes da academia judaica – deliberavam sobre questões religiosas. Os indivíduos dignos a quem fossem revelados os segredos eram conhecidos por Mekkubalin. O mais antigo livro cabalístico, o Livro Yetzirah (formação) surgiu no período atrás referido. A palavra cabala, no entanto, não aparece na literatura antes do século XI, e o Livro Zohar (luz) parece ser um produto da fase final do século XIII, época em que a cabala deu origem a uma vasta literatura. O Zohar era e é considerado o livro sagrado, o pilar da sabedoria cabalística, devendo a sua configuração atual ao famoso Moisés de Leon (1250 – 1305).
    A cabala denuncia a influência da filosofia e esoterismo gentílicos nas idéias fundamentais de que o plano da arquitetura do mundo pode ser entendida pelo homem e que o ser divino pode ser compreendido (ainda que não inteiramente) através da especulação. A noção cabalística de que o mundo foi edificado com base em números e letras proveio da filosofia grega. No Timeu, Platão debruça-se sobre as dimensões em que o universo está construído. Os filósofos neopitagóricos entendiam os números e letras como seres divinos dotados de poderes sobrenaturais. Estranha à antiga teologia hebraica é também a noção cabalística dos Sefirots, manifestações da existência de Deus na criação. Eles têm afinidades com as inteligências neoplatônicas, intermediários entre o mundo do inteligível e o mundo material.
    Os dez Sefirots estão contidos em Adão Kadmon, o homem primordial a quem São Paulo provavelmente faz alusão quando afirma: “Deus criou um Adão celeste no mundo espiritual e um Adão terreno, de barro, destinado ao mundo material”. (I Cor. 15:45-50.) E num livro sagrado hebraico, o Midrash, afirma-se que este primeiro Adão é  Messias cujo espírito é sempre presente. Esta noção de que as coisas e os seres existem como idéias antes de serem materializados fora já expressa por Platão e Zoroastro. Além disso, aparentado com a doutrina zoroastriana é também o cabalístico Em Soph, a divindade ilimitada e ininteligível de que emanaram os Sefirots, tal como todas as coisas emanaram do zoroastriano Zrvan Akaran, o deificado espaço-tempo.
    Existem outras afinidades entre a doutrina da cabala por um lado e as doutrinas gnósticas, as doutrinas da escola de Alexandria, a filosofia de Fílon e a dos estóicos por outro. Os cabalistas primitivos, como não quisessem ignorar ou não pudessem resistir a tais influências, tiveram de enfrentar o problema de encontrar a forma de aceitá-las sem violentarem as escrituras existentes, que haviam sido inspiradas por Deus e não podiam conseqüentemente ser alteradas. A solução que encontraram foi “ler” nos textos antigos as idéias que desejavam encontrar neles e afirmar que tais idéias tinham estado ocultas desde o princípio nas Sagradas Escrituras. Para o provarem, recorriam a meios tais como a alteração do valor das letras ou a substituição de uma letra por outra, formando deste modo novas palavras de acordo com os preceitos cabalísticos. Tal procedimento pode servir igualmente bem às mais variadas doutrinas e, na realidade, fora já utilizado na interpretação do Talmude. Além disso, das práticas bibliomânticas às operações mágicas não vai senão um passo. A cabala prática é uma simples forma de magia, tendo em vista obter efeitos prodigiosos através do poder da palavra falada.
    Apenas aqueles que estavam determinados a serem dignos do conhecimento – os que possuíam os motivos e ideais mais puros – eram escolhidos para estudar a cabala. No livro Yetzirah, os iniciandos descobriam uma teoria expandida da criação do universo. De acordo com ele, o mundo espiritual era formado por dez esferas, os Sefirots (sefirot é um termo relacionado com a palavra hebraica sappir, traduzida livremente como “safira”, e interpretada como o esplendor de Deus). Cada um dos Sefirots representava uma força ou aspecto diferente de Deus, tal como o amor, o poder ou o entendimento. Dizia-se que esses aspectos emanaram, ou se desdobraram de Deus. Posto que os Sefirots incorporavam todos os aspectos da criação. Geração e decadência. Elas representavam o próprio universo.
    Ligando as dez esferas há 22 caminhos, que correspondem às 22 letras do alfabeto hebraico, e, juntas, as esferas e os caminhos constituem a “árvore da vida”, a representação visual da criação. O Yetzirah detalhava também os significados místicos de cada letra do alfabeto hebraico e perscrutava um sistema de interpretações ocultas de várias combinações de letras.
    Através da meditação e da oração. Os devotos procuravam escalar a árvore da vida, experimentar as Sefirots e explorar a relação entre a humanidade e o universo – em resumo, atingir a iluminação divina mediante a ascensão.
    Uma espécie de guia que descrevia a paisagem a ser explorada nessa viagem espiritual era o Zohar. Esse texto de ensinamentos, central para os que estudam a sabedoria mística antiga, era um comentário místico sobre o Pentateuco. Continha uma mistura de histórias, poesia, comentários e visões baseadas em idéias e símbolos cabalísticos.

    A árvore de Sefirots encontra-se no coração da cabala, e é o seu símbolo mais representativo e multifacetado. Os Sefirots são os dez números primordiais que, combinados com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico, representamo plano de criação de todas as coisas superiores e inferiores. São os dez nomes, atributos ou poderes de Deus, e formam um osganismo palpitante a que se chama “o rosto místico de Deus” ou o “corpo do universo”. Assenta nos três pilares da misericórdia (direita), da severidade (esquerda) e do equilíbrio central. O pilar central forma a espinha dorsal através da qual o orvalho divino flui para o ventre. Na criação apenas são visíveis os efeitos dos sete Sefirots inferiores , já que a tríade superior atua fora do tempo e para lá da compreenção. No sistema dos quatro mundos, corresponde ao mundo da luz divina (Aziluth), separado por um véu das duas tríades inferiores do mundo do trono (beriah) e do mundo dos anjos (Yetzirah). O Sefirot mais baixo, Malchut, é identificado com Assia, o protótipo espiritual do mundo material.
     Texto extraído do site Terra Espiritual

    Druidas


    Ao mesmo tempo que estavam abraçando os cultos mediterrânicos dos mistérios, os romanos tentavam esmagar uma seita pagã que grassava no extremo norte de seu império. Nas florestas da Gália (atual França) e nas brumosas Ilhas Britânicas, as tribos célticas veneravam um panteão de deu­ses rústicos e espíritos dos bosques. Os sustentáculos dessas crenças eram os druidas. Estes pare­cem ter desempenhado um papel abrangente na so­ciedade céltica. De acordo com as poucas fontes literárias gregas e romanas que chegaram até nós, os druidas eram sacerdotes e filósofos, educadores, árbitros e curandeiros. Eles não só supervisionavam todas as observâncias rituais e religiosas, como tam­bém, segundo Júlio César em seu Commentarii de Bello Gallico (Comentários sobre a Guerra Gálica), de 51 a.C., eles estudavam "as estrelas e seus movimentos, o tamanho do universo e da terra, a natureza das coisas, o poder dos deuses imortais". Como depositários dos conhecimentos culturais em uma sociedade sem escrita, os druidas passavam a vida inteira memorizando as leis e os épicos célticos. Seu poder político era pelo menos equivalente ao do rei, que eles mesmos escolhiam entre os membros da família real, e a quem aconselhavam em questões de estado e de guerra. Ocasionalmente, serviam como comandantes nas batalhas embora por lei não fossem obrigados a prestar serviço militar, nem a pagar impostos. Conheciam as ervas e plantas usadas para tratar diversas doenças e praticavam numerosos métodos de adivinhação; dizia-se de um druida irlandês chamado Fingen que ele era capaz de diagnosticar a doença de um homem pela fumaça que saía da chaminé do enfermo. Relata-se que os druidas também instruíam crianças sobre as tradições culturais e costumes da orem druídica para que algum dia elas pudessem juntar-se à seita. Aparentemente, os druidas eram recrutados entre os membros das classes superiores da sociedade celta e passavam por três níveis, ou graus, de autoridade: vates, os que praticavam a adivinhação; bardos, recitadores de poesia sagrada; e druidas, encarregados das cerimônias rituais. Todos eles vieram a ser conhecidos; de maneira geral, como druidas. Eles escolhiam um dia por sema­na para a observância religiosa e presidiam quatro festivais sazonais por ano. Tal como os seguidores de Mitra, os celtas comemoravam o solstício de inverno no dia 25 de dezembro; diz-se que os ritos de iniciação eram realizados durante essa cerimônia e também nas que celebravam o solstício de verão e os equinócios de outono e de primavera. A grande comemora­ção anual de Beltane, ou dia de Maio, celebrava a ressurreição do sol. Realizavam-se banquetes rituais e faziam-se danças; e, segundo uma fonte, à meia-noite, em um bosque sagrado ilumina­do por fogueiras, um iniciando recriava a morte e o renascimen­to simbólicos de Hu, o deus do sol dos druidas.
    Segundo Plínio, o Velho, os momentos de certas cerimônias druídicas eram determinados pela rara aparição de visco crescendo no tronco de um carvalho. Um druida vestido com um manto branco escalava a árvore e, com uma foice de ouro, libertava a planta parasítica, na qual se acreditava estar o espírito do carvalho, uma árvore sagrada. Seguia-se um grande banquete e dois touros brancos eram sacrificados.
    Muitos festivais druídicos eram ritos de fertilidade agrícola, e os sacrifícios animais faziam sem dúvida parte deles. É quase certo, porém, que durante alguns rituais - às vésperas de uma batalha, ou quando uma pessoa importan­te ficava doente - os druidas sacrificavam seres humanos também. César afirmou que os pagãos construíam enormes gaiolas de vime com formas humanas, abarrotavam-nas de vítimas e ateavam fogo aos ramos. Embora os ofertados aos deuses fossem, quase sempre, criminosos condenados, explicou ele, vítimas inocentes eram sacrificadas se houvesse poucos malfeitores. Certas fontes asseveram que os druidas sacrificavam até seus próprios pares, se preciso. O autor clássico Deodoro Sículo também relatou cenas de sacrifícios humanos. "Quando tentam a adivinhação de questões importantes, realizam um costume estranho e incrível, pois ma­tam um homem com uma facada acima da cintura." Depois que a vítima caía morta, prosseguiu Deodoro, "previam o futuro pelas convulsões de seus membros e pelo derramamento de seu sangue".
    Alguns historiadores duvidam da precisão de tais relatos: César, muito provavelmente, enfeitou a descrição dos selvagens célticos para justificar as Guerras Gálicas, e é provável que os outros relatos não sejam de autoria de testemunhas oculares. Apesar disso, outras autoridades acreditam que as velhas narrativas históricas não se afastam demais da verdade. Com certeza, a descoberta, em 1984, dos restos do Homem de Lindow na turfeira de Cheshire reforçou a hipótese de que os druidas de fato faziam sacrifícios humanos. As autoridades romanas na Gália e na Bretanha toleravam este e outros ritos religiosos druídicos, mas temiam o poder político dos druidas entre as tribos subjugadas. No ano 54 de nossa era, foi emitido um decreto abolindo a religião druídica, e sete anos depois foi lançada uma campanha para    eliminar os últimos vestígios da seita pagã. Um confronto final teve lugar em Anglesey, uma ilha ao largo da costa noroeste do País de Gales, bastião do druidismo. Segundo o célebre historiador romano Tácito, quando os barcos romanos chegaram à praia, druidas de longas barbas, bem como mulheres vestidas de negro, saltaram com tochas dos bosques, gritando, uivando, lançando pragas contra os invaso­res. Infelizmente, toda essa fuzilaria verbal mostrou-se impotente contra o aço das espadas curtas dos romanos; os guerreiros abateram tudo e todos os que encontraram em seu caminho. Nem mesmo as árvores do bosque sagrado - que Tácito descreveu como manchado pelo sangue dos cativos - foram poupadas.
    A carnificina de Anglesey, bem como a conversão dos celtas ao cristianismo, eliminou efetivamente a influência druídica no mundo antigo. Só no País de Gales e na Irlanda o druidismo sobreviveu até a Idade Média, na tradição bárdica de memorizar poemas épicos. Os tempos modernos, contudo, assistem a um renascimento da seita. Hoje, seus seguidores limitam-se a lutar pela pro­moção das idéias e princípios da civilização céltica. No entanto, alguns grupos dissidentes mantêm o que afirmam ser as tradições místicas dos druidas. Engalanados em mantos brancos, esses druidas, bardos e vates contemporâneos, recriam as ceri­mônias iniciáticas e os festivais sazonais - sem, é claro, os sacrifícios humanos - em Stonehenge e em outros locais seme­lhantes em toda a Inglaterra. As seitas modernas parecem atraídas por esses megálitos, e muitas delas acreditam que os antigos druidas foram os que erigiram as colunas em Stonehenge. Tais colunas, porém, são pelo menos mil anos mais antigas que a che­gada dos primeiros druidas à Bretanha. E muito embora seja quase certo que os druidas tenham usado esse monumento como observatório para marcar a chegada das estações, essa antiga seita parecia preferir a privacidade dos bosques sagrados para conduzir os ritos clandestinos de sua fé pagã.
    Por volta do ano 300 de nossa era, o cristianismo havia substituído o druidismo e as antigas religiões dos mistérios, como religião oficialmente reconhecida do Império Romano. Os bre­tões pareceram abraçar o novo sistema de crenças com mais alarde do que outras nações, talvez porque o cristianismo primitivo tivesse características em comum com o druidismo: a imortali­dade da alma, a crença nos milagres e, segundo alguns estudiosos, a fé na reencarnação.

    Texto extraído do Site Terra Espiritual.
    Hermeticismo


    Fusão da religião grega com a antiga religião do Egito, as crenças do hermeticismo estavam contidas  em um corpo de textos conhecido como Corpus Hermeticum. Essa obra, de autor desconhecido, recebeu esse nome devido ao personagem principal, Hermes Trimegisto (Hermes, o Três Vezes Grande). Alguns ocultistas alegavam que o autor era o próprio Trimegisto, um sábio egípcio que viveu no tempo dos faraós e foi contemporâneo de Moisés. Outros o associaram ao deus grego Hermes, cujo equivalente egípcio, Toth, era o escriba dos deuses e senhor dos livros sagrados.
    O Corpus Hermeticum é apresentado na forma de diálogos entre Trimegisto, Toth e diversas outras deidades egípcias, inclusive Ísis. Os estudiosos salientam que pouca coisa do texto é de fato original; na verdade, grande parte da visão do mundo dos herméticos é baseada na filosofia de Platão. Os herméticos viam o mundo em termos de luz e trevas, bem e mal, espírito e matéria. Do mesmo modo que seus contemporâneos, os gnósticos, os praticantes pregavam um dualismo mente-corpo, e a salvação através da possessão do conhecimento verdadeiro e divino.
    Da quantidade colossal de obras escritas atribuídas a Hermes Trimegisto não foram muitas as que sobreviveram, para além de quatorze breves textos escritos em grego e uma série de fragmentos preservados por autores cristãos. Tais obras exprimem noções místicas e filosóficas próprias desta época primitiva. A mais conhecida dentre elas intitula-se Poimandres, o Bom Pastor, da qual alguns passos apresentam uma semelhança notável com o Evangelho de São João, enquanto que outros fazem lembrar o Timeu de Platão. Também poderemos vislumbrar nelas reflexos do pensamento judaico, tal como é expresso por Fílon. Além destes escritos, atribuem-se a Trimegisto alguns tratados de magia, cujo tema fulcral é a astrologia e onde a alquimia é tratada de um modo um tanto ou quanto vago.
    Os livros herméticos foram considerados pelos alquimistas como um legado que Hermes lhes fez dos segredos que estavam dissimulados em alegorias, a fim de que a preciosa sabedoria não fosse cair em mãos profanas. Somente os sábios eram capazes de se orientar neste labirinto místico. O passo de Hermes mais freqüentemente citado, o credo dos adeptos, era a inscrição descoberta numa placa de esmeralda ”nas mãos da múmia de Hermes, num fosso recôndito, onde jazia o seu corpo enterrado”,situado segundo a tradição, na grande pirâmide de Gizé. O documento tem o nome de “Placa de Esmeralda” e está por demais intimamente relacionado com a alquimia para não o reproduzirmos na íntegra:
    “ É verdade, sem falsidade e extremamente real: aquilo que está no alto é igual àquilo que está em baixo, para perpetrar os milagres de uma coisa. E, como todas as coisas derivaram de uma, pelo pensamento de uma, assim todas as coisas nascem desta coisa, por adoção. O sol é o seu pai, a lua é a sua mãe. O vento trouxe-a no seu ventre, a terra é a sua arma. Eis o pai de toda a perfeição do mundo. A sua força e poder são absolutos quando transformados em terra: tu separarás a terra do fogo, o sutil do grosseiro, suavemente e com cuidado. Ela ascende da terra até ao céu e desce de novo à terra para receber o poder das coisas superiores e inferiores. Por este meio, tu terás a glória do mundo. E, devido a isto, toda a obscuridade fugirá de ti. No interior disto está o poder, o mais poderoso de todos os poderes. Pois ela superará todas as coisas sutis e penetrará todas as coisas sólidas. Assim foi criado o mundo. A partir disto existirão e surgirão adaptações admiráveis cujos meios para atingi-las estão aqui. E, por esta razão, chamo-me Hermes Trimegisto, possuindo as três partes da filosofia do mundo. O que eu disse sobre as operações do sol já se realizou”.
    Os alquimistas reconheciam nestas alegorias as várias fases do processo de fabricação do ouro, ainda que a ambiguidade dos termos se prestasse a infinitas interpretações.

    Extraído do site Terra Espiritual.
    Teosofia


    Uma Sabedoria Universal e um Campo de Aprendizado

    O  termo “Teosofia” existe há milhares de anos e é uma herança dos filósofos do Egito antigo.  

    Foi  no século três da era cristã que Amônio Saccas batizou de Teosofia Eclética a sua filosofia platônica universalista.  

    Literalmente, “Theos-sofia” significa  Ciência ou Sabedoria Divina, conforme explica Helena Blavatsky.  Porém, cabe perguntar: “Como é que funciona e se expressa no mundo a sabedoria divina?”   

    A verdade é que não pode haver um conhecimento sem uma prática.  Nenhuma filosofia sobrevive se não houver uma escola em que ela seja se ensinada, testada e praticada. Em Alexandria, há 17 séculos, Amônio Saccas criou uma escola neoplatônica de Teosofia. Em Nova Iorque, em 1875, Helena Blavatsky  fundou a escola moderna de Teosofia, o chamado “movimento teosófico”.  

    Tanto hoje como na antiguidade,   “Teosofia”  é aquela  sabedoria universal e eterna que está presente nas grandes religiões e filosofias  e nas principais ciências da humanidade.   A Teosofia é, portanto,  uma ponte entre as culturas. É um conhecimento interdisciplinar.  Ela requer uma abertura mental, um espírito crítico  e um constante desafio a dogmas, rotinas  e burocracias de todo tipo. Inclusive religiosas.  

    A  Teosofia abre as portas do conhecimento para que cada estudante possa ver e compreender uma verdade revolucionária: o fato de que sua alma  é uma parte viva do todo universal.  

    Em outras palavras, a Teosofia faz com que se amplie no estudante  “Antahkarana”, a ponte ―  a relação dinâmica ―  entre a alma mortal e a alma imortal.  Assim, o cidadão passa a ver a evolução do universo como uma fotografia ampliada da sua própria evolução individual. Ele percebe que todo ser humano é, em si mesmo um resumo do universo, assim como cada átomo de matéria física é uma miniatura do sistema solar.  A Lei da Unidade e do Equilíbrio determina que as coisas ocorram “assim na terra como no céu; assim em pequena escala como em grande escala”.  

    Que linhas sagradas, então,  guiam o tempo todo a evolução humana?  Nosso aprendizado segue inevitavelmente as leis do Carma e da Reencarnação. Estas são, respectivamente,  as leis da “responsabilidade” e da “segunda chance”.  Com o tempo,  porém, o estudante  acaba descobrindo que a  lei da reencarnação é na realidade uma parte da boa lei do Carma.  O conceito ainda é pouco compreendido, mas ―  superstições e fatalismos à parte ― a lei do carma  é o princípio eterno da  justiça universal e da harmonização constante de todos os seres e coisas do universo.  

    O que se planta, se colhe, e deste modo aprendemos a plantar o que é bom, justo e verdadeiro.   

    Carma e reencarnação são dois aspectos absolutamente essenciais  da filosofia esotérica.  Aquele que ignora esses dois temas dificilmente pode ser considerado teosofista. Cabe perguntar, porém: “O que é, exatamente, que reencarna em nós?”   A resposta é desafiadora. Não é o corpo.  Não é a alma mortal.  É apenas a alma imortal, a mônada,  o Espírito elevado, e não o eu inferior, que  reencarna.  A cada renascimento, a alma imortal está associada a um novo corpo e uma nova alma mortal.  

    Ao final de uma vida, não há apenas uma morte física; algum tempo depois dela, ocorre a morte astral, do  eu inferior. E então a alma imortal segue, livre, para o “Devachan”, o “local dos deuses”, de onde só despertará para uma nova exitência.  As encarnações se sucedem durante um tempo inimaginavelmente longo, até que um dia a Alma  se liberta finalmente da roda da reencarnação e alcança a condição de um Buddha, um Adepto, um Mahatma ―  um Mestre. Esses seres trabalham sempre em silêncio e anonimamente.   

    Helena Blavatsky não criou,  e não pretendeu ter criado,  a sabedoria.

    Auxiliada  e orientada por Mahatmas,  ela  apenas colocou à nossa disposição elementos para que a sabedoria universal possa ser mais facilmente percebida e vivida.  Esse conhecimento do mundo divino é uma tradição global e intercultural, milenar e também moderna, cuja descoberta gradual fará com que  todos os dogmas religiosos, nacionalistas e ideológicos  se desfaçam, e as guerras e o fanatismo comecem a perder sentido.

    Todo conhecimento implica necessariamente testes e responsabilidade.  E testes mostram tanto erros como acertos, e avanços, e fracassos. A  Teosofia,  como filosofia abtrata e universal,  se desdobra na prática e no dia-a-dia  através de um amplo Movimento Teosófico onde não faltam desafios e limitações humanas.   

    Não há hoje uma instituição que detenha o monopólio da filosofia esotérica. A maior instituição é a Sociedade Teosófica de Adyar, que tem sede na Índia e existe em cerca de 60 países, inclusive o Brasil.  Há também a Sociedade Teosófica de Pasadena, com sede internacional nos Estados Unidos e presença em cerca de 10 países. Uma terceira força presente internacionalmente preferiu  organizar-se como uma  rede de estudantes autônomos,  e não como uma corporação. Trata-se da influente Loja Unida de Teosofistas, L.U.T., que existe em cerca de 13 países e que desde o início de 2007 está começando um trabalho no Brasil.
    Enquanto a Sociedade de Adyar dá grande importância a crenças e rituais, deixando de lado, em parte, a Teeosofia original,  a S.T. de Pasadena e a Loja Unida de Teosofistas priorizam a proposta filosófica original,  formulada por H.P. Blavatsky.

    Além dessas três escolas maiores de Teosofia, há uma grande variedade de grupos e iniciativas teosóficas independentes, que seguem a teosofia autêntica de Blavatsky e dos Mestres, e que são influentes internacionalmente.  Dois bons exemplos são a Sociedade Teosófica de Edmonton, no Canadá, e a Fundação Blavatsky, no México.  

    Não se deve esquecer, tampouco, a presença de segmentos importantes do movimento esotérico mais amplo, que  tiveram origem no movimento fundado por H.P. Blavatsky.
    Entre eles estão a Escola Arcana e Boa Vontade Mundial,  fundados por Alice Bailey ; a Agni Yoga, de Nicholas e Helena Roerich;  e a Sociedade Antroposófica, de Rudolf Steiner.  
    Estes três segmentos tiveram a Teosofia como inspiração inicial e original e contribuem positivamente para a formação de uma ampla base de fraternidade universal e de filosofia interdisciplinar,  no mundo de hoje.  

    Inevitavelmente, a filosofia esotérica mais autêntica trabalha para que a humanidade se liberte de  crenças cegas e automáticas. Ela dá elementos para que cada indivíduo possa desenvolver  uma compreensão autônoma e solidária da vida e do Universo.  

    O movimento teosófico, com suas  diversas escolas de pensamento, oferece um vasto campo de testes e aprendizado. Sendo humano, o movimento tem dentro de si o joio e o trigo, verdades e  ilusões, a letra morta e o espírito que vivifica. A busca sincera dos objetivos do movimento permite a cada aprendiz desenvolver o seu discernimento e ver além das aparências ―  sem cair no dogma, na rotina ou no ritual.    


    Os objetivos do movimento são três:    

    1) Formar o núcleo de uma Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor;

    2) O estudo comparado das religiões, filosofias e ciências  antigas e modernas, e a demonstração da importância de tal estudo; e

    3) A investigação das leis inexplicadas da Natureza e dos poderes psíquicos latentes no homem.


    É fácil perceber que a   tarefa teosófica não é de curto prazo, e que vale a pena.  “Tudo que é  humano me diz respeito”, afirmou um dia o pensador romano Terêncio. Um teosofista moderno poderia ampliar a frase,  dizendo:  

    “Tudo que é mineral, vegetal, animal, humano e divino, e tudo que é eterno e infinito,  me diz respeito, essencialmente”.

    De fato, a Teosofia abarca a essência (não a casca externa) de tudo o que há;  e por isso  o movimento teosófico é necessariamente complexo.  Uma longa caminhada começa com o primeiro passo, e  William Judge escreveu em “O Oceano da Teosofia”:

    “A Teosofia é um oceano de conhecimento que se estende de um extremo a outro da evolução dos seres sensíveis.  Insondável nas suas partes mais profundas, ele exige das mentes mais poderosas o máximo de seu alcance, embora seja suficientemente raso em suas margens para ser entendido por uma criança.” 

    Extraído do Site Terra Espiritual.
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